HISTÓRIA DO PEBOLIM

O pebolim foi inventado durante a Guerra Civil Espanhola para que as crianças feridas se divertissem . Um dos brinquedos mais jogados no mundo tem um história tão incrível que até parece coisa de filme.
O pebolim nasceu em 1936 dentro de um hospital na Espanha, enquanto o país estava dividido por uma guerra que durou quase 4 anos. Naquele hospital, "morou" por um bom tempo o jovem Alejandro Campos Ramirez, na época com 18 anos. "Eu tinha chegado a Madri (capital da Espanha) para estudar em pleno clima de guerra. Fiquei muito ferido porque uma bomba que explodiu na casa onde eu estava e eu fiquei preso entre os restos dela até alguém me encontrar", contou, por telefone, Alejandro, hoje com 85 anos.
O rapaz foi então transferido para a cidade de Valência, onde estavam os melhores hospitais. "Como eu tinha ficado preso muito tempo nas ruínas da casa e tinha problemas respiratórios, me mandaram para um hospital na cidade de Montserrat. Em frente ao hospital, havia um grande hotel que abrigava os fugitivos e os feridos da guerra. Muita gente tinha perdido as pernas, muitas crianças também. Eu mesmo tinha ficado manco por causa da bomba e todos os dias me sentava na janela para ver crianças jogando futebol num terreno entre o hotel e o hospital. As crianças de muletas queriam jogar também".
Alejandro teve uma idéia: "Eu era fanático por futebol e tênis de mesa. Por que então não poderia criar um futebol de mesa?". No Natal daquele ano, as crianças da guerra foram presenteadas com o futbolín (como o pebolim é chamado na Espanha).

E que tal um vira-folhas elétrico?

A fantástica história de Alejandro não acabou no momento em que criou o pebolim. O jogo virou um sucesso, principalmente entre os mais pobres. Alejandro registrou o pebolim em 1937, mas, por causa da guerra, as fábricas estavam mais preocupadas com armas do que com brinquedos.
A revolta na Espanha obrigou Alejandro a fugir para a França. Ao chegar lá, foi pego por outra guerra: a Segunda Guerra Mundial. Alejandro viveu muitos anos naquele país, onde trabalhou numa rádio de notícias para a Espanha e América Latina e publicou alguns livros. "Um dia, o ano era 1948, estava caminhando na rua quando vejo um outro invento meu numa loja".
Antes de fugir da Espanha, antes mesmo de ter registrado o seu pebolim, Alejandro tinha inventado uma engenhoca elétrica que ajudava a virar as folhas de um livro ou de uma partitura de música. Foi então que ele descobriu que, assim como tinha acontecido com o pebolim, tinha perdido os direitos sobre o invento porque tinha "sumido" da Espanha. Com a ajuda de uma organização que dava apoio para fugitivos da guerra, Alejandro resolveu brigar por sua invenção, só conseguiu algum dinheiro para começar uma nova vida em outro lugar.
Hoje, com 85 anos, Alejandro Finisterre (o Finisterre ele "roubou" da cidade onde nasceu) vive numa pequenina cidade da Espanha chamada Aranda de Duero. Todas essas histórias estão no livro de memórias que Alejandro terminou há alguns meses. Ele espera que seu livro saia no final do ano. Espera também que alguma editora de um país de língua portuguesa se interesse. Assim os brasileiros teriam a chance de ler as incríveis aventuras do homem que inventou o pebolim.

O pebolim também é...

• totó, no Rio, em Minas Gerais, no Norte e no Nordeste do Brasil
• pacau, em Santa Catarina
• fla-flu, em Porto Alegre
• matraquilhos, em Portugal
• metegol, na Argentina
• foosball, nos Estados Unidos


Fonte: Empresa Jornalística Diário do Vale Ltda